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Dia da Consciência Negra guarda em sua história uma intensa luta por direitos

MNU nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo. Acervo Iconográfico do Arquivo Público do Estado de São Paulo – APESP

O dia 20 de novembro foi escolhido por ser a data da morte de Zumbi dos Palmares, líder daquele que foi um dos maiores quilombos do país, o Quilombo de Palmares 

Celebrado desde a década de 1960 e reivindicado por grupos militantes principalmente a partir dos anos 1970, que buscavam disseminar a importante descoberta histórica sobre a data de morte de Zumbi dos Palmares, o 20 de novembro marca o Dia da Consciência Negra no Brasil.  

A data entrou oficialmente no calendário escolar em 2003 mas somente em 2011, graças às lutas de movimentos sociais, foi instituída em todo o país pela Lei n.º 12.519. Apesar de não ser um feriado nacional, alguns estados e municípios a adotaram como sendo. 

A trajetória do líder do quilombo de Palmares, assassinado dia 20 de novembro de 1695 por bandeirantes, inspirou e deu força à luta da população negra no Brasil: “Zumbi vive ainda, pois a luta não acabou”¹. Localizado no Estado de Alagoas, o Quilombo dos Palmares resistiu ao sistema escravocrata em vigor no país já que ali, livres, mulheres e homens negros ganhavam sua liberdade para viver sua cultura, plantar e comercializar com cidades próximas à região. 

A ascensão de grupos atuantes na luta contra o racismo, como o Grupo Palmares de Porto Alegre (RS), fundado em 1971, e o Movimento Negro Unificado, formado em 1978, somou-se ainda ao conhecimento da cultura e literatura negra e à inspiração pela luta anti-apartheid que acontecia na África do Sul, passando então a promover ações para pensar a consciência negra e o combate ao racismo. 

Nesse sentido, buscando entender essas reinvindicações por direitos em meio a ditadura civil-militar, o Memorial da Resistência entrevistou integrantes do MNU (Movimento Negro Unificado), incluindo o fundador Milton Barbosa e a ativista Neuza Pereira. Seus depoimentos integram o programa Coleta Regular de Testemunhos, presentes no Acervo Digital do Memorial.  

Para além dos relatos, no programa Lugares da Memória estão inventariados locais que foram palcos importantes da resistência negra em São Paulo, como o Theatro Municipal, que marcou o primeiro ato público do MNU em 1978, e o Largo Paissandu, lugar de celebração do 13 de Maio, data da assinatura da Lei Áurea em 1888. 

  1. Petrônio Domingues, Movimento Negro Brasileiro: alguns apontamentos históricos, 2006.