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Linha do Tempo: memórias da pesquisa

A exposição de longa duração é apresentada no Memorial da Resistência desde 24 de janeiro de 2009, quando o museu foi aberto ao público, e apresenta desde então os resultados de um extenso e emblemático processo colaborativo de pesquisa.

Além das contribuições de ex-presos políticos que passaram pelo edifício, ocupado pelo Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo – Deops/SP entre 1940 e 1983, o processo de implantação do Memorial da Resistência contou com a participação de pesquisadores convidados do PROIN – Projeto Integrado Arquivo do Estado/Universidade de São Paulo.

Desde 1996 o projeto realizava o trabalho inédito de debruçar-se sobre as cercas de 1.500.000 fichas e aproximadamente 163.000 pastas/prontuários que compõem o acervo documental do fundo DEOPS, e que estão sob a tutela do Arquivo Público do Estado de São Paulo até os dias de hoje.

Com a parceria firmada junto ao museu, em 2007, coube à Prof. Maria Luiza Tucci Carneiro, Coordenadora do Inventário DEOPS do PROIN, e equipe de pesquisadores, a organização de um vasto material de referências, textos, documentos e imagens reunidos na exposição, incluindo a Linha do Tempo.

Guiada pelas ideias de controle e repressão, a elaboração da cronologia teve o grande desafio de realizar um recorte que fosse representativo e expressivo: “Isso era um desafio: como colocar todas as informações? Eu me recordo muito bem que, junto com o pessoal que fez a programação visual, a gente ficava colocando as tabelas: ‘Tira uma, coloca outra’, ‘não, isso aqui está demais. Não cabe’. Então eu acho que foi um desafio para uma historiadora tentar resumir uma linha de tempo com essa dimensão e que fosse didática”, diz Carneiro.

Além de reunir efemérides, legislações e organizações políticas, as mais de 30 imagens que compõem a Linha do Tempo foram selecionadas pelo Coordenador de Iconografia DEOPS do PROIN, o Prof. Boris Kossoy, junto à equipe de pesquisadores, a partir de uma ampla pesquisa em diferentes acervos brasileiros, incluindo o fundo DEOPS.

Saiba mais sobre o processo de trabalho dos pesquisadores, a construção da Linha do Tempo e as linhas que orientaram sua organização no depoimento de Maria Luiza Tucci Carneiro para o programa Coleta Regular de Testemunhos, também incluído no livro Memorial da Resistência, dez anos: Presente!:

Coleta Regular de Testemunhos com Maria Luiza Tucci Carneiro

Realizada em ocasião da exposição Hiatus, a obra Formas de transição (2017), de Clara Ianni, foi recentemente remontada pelo museu no espaço da Linha do Tempo. O trabalho propõe um diálogo com a exposição de longa duração a partir da intervenção em sua cronologia. Reproduzindo o mesmo design visual do museu, a artista agrega pequenas placas em preto na sequência cronológica de forma a acrescentar os crimes cometidos pelo Estado entre 1985 (fim da ditadura) até 2017. Com o “contra-gesto”, busca-se refletir sobre a forma como é apresentada a história nacional pela instituição e seu próprio recorte temporal da noção de Resistência.

O trabalho encontra-se também incluído na versão digital da Linha do Tempo.