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Direito à Verdade, Memória e Justiça é tema de Sábado Resistente

Encontro discute o papel da justiça de transição e sua importância para a construção permanente da democracia

Como parte do ciclo de debates dos Sábados Resistentes, este ano voltado aos Direitos Humanos e às várias temáticas que o permeiam, o Memorial da Resistência e o Núcleo de Preservação da Memória Política realizaram no dia 10 de abril seu segundo encontro com a proposta de abordar o combate à impunidade e a importância do conhecimento da Verdade, da Memória e da Justiça.

Uma das participantes do encontro, a desembargadora Inês Virgínia Prado Soares, apontou que a justiça de transição no Brasil é incompleta, sem a devida punição dos responsáveis e reparação aos perseguidos políticos e seus familiares. Inês reforçou a importância de preservar e manter lugares de memória para a construção pública da verdade, apontando o trabalho da Comissão Nacional da Verdade (2012-2014) em incluir em seu relatório final a recomendação de preservar imóveis onde graves violações de direitos humanos ocorreram.

Na fala do professor Flávio Leão Bastos Pereira foram apresentados possíveis caminhos para construção de uma justiça de transição, oferecendo como exemplo o caso alemão. Após o fim da II Guerra Mundial, o país viu por anos seu Ministério da Justiça ser comandado por juristas envolvidos com o nazismo. O professor destacou que na história recente, em 2012, o país se debruçou na revisão de sua história com a consolidação do Relatório Rosenburg (Die Akte Rosenburg), mostrando que a luta pela justiça de transição é um percurso longo e complexo, e que seguimos no caminho de trilhá-lo.

Jornalista, professor e ex-preso político, Ivan Seixas também participou do encontro reforçando o papel que familiares de desaparecidos e perseguidos políticos tiveram em cobrar políticas e medidas efetivas voltadas à justiça de transição. A lógica econômica da ditadura foi levantada, com Ivan pontuando a participação de uma classe dominante civil no período e a presença do fascismo como um instrumento orgânico e estrutural do capitalismo.

Professora de história do Colégio Santa Maria, Sonia Brandão, compartilhou sua experiência com uma educação em direitos humanos. Junto com os alunos, realiza uma série de atividades, que se estendem durante praticamente todo o ano letivo, para trazer o debate da democracia, da memória e da verdade para as salas de aula. Além de oficinas e leituras de textos teóricos, são realizadas saídas de estudo a lugares de memória na cidade de São Paulo como importante recurso pedagógico para ampliar o repertório dos alunos ao debate.

O encontro também contou com a presença de Ana Pato, coordenadora do Memorial, e Maurice Politi, César Rodrigues e Oswaldo de Oliveira Santos Jr, do Núcleo Memória.

Confira na íntegra o encontro Sábado Resistente – Direitos Humanos em Foco:

Memorial Temporariamente Fechado

Seguindo as orientações do Plano São Paulo de combate à pandemia, o Memorial está fechado para atividades presenciais até que seja autorizado o seu funcionamento. O Memorial continua realizando atividades de maneira virtual! Para não perder nada da nossa programação online acompanhe nossos canais de comunicação.

Esperamos ver todos em breve!