Durante a ditadura civil-militar, a repressão era empreendida por agentes policiais e militares em unidades oficiais do Estado. Contudo, ela não se restringiu a estes espaços, atuando por entre as fronteiras do legal e do ilegal. Mesmo em relação às leis da época, os agentes repressivos também contavam com um conjunto de centros clandestinos de detenção. Eles eram estabelecidos em imóveis particulares, cedidos para esta finalidade por militares e civis que integravam ou tinham relações com o regime. Esta casa simples, no bairro do Ipiranga, foi um desses aparelhos. De acordo com a Comissão Nacional da Verdade, ela foi utilizada pelo DOI-Codi/SP para ações de recrutamento e treinamento de informantes. Para cá seriam trazidos os pejorativamente chamados “cachorros”, militantes das organizações de esquerda que seriam coagidos a mudar de lado e atuar como infiltrados das forças repressivas.