
Entrevista com Paulo Cseh
Dados gerais
Testemunho completo
Título
Entrevista com Paulo Cseh
Código da entrevista
C208
Coleção
Memórias da ditadura civil-militar > Entrevista sobre militância, resistência e repressão durante a ditadura civil-militar
Entrevistados
Ivan Akselrud de Seixas | Olavo Hanssen | Maurice Politi | Raphael Martinelli
Data da entrevista
08/05/2024
Resumo da entrevista
O entrevistado inicia seu testemunho recordando a infância na Mooca e o início da vida profissional, quando, dos 12 aos 14 anos, trabalhou em uma estamparia, em uma tipografia e em uma marcenaria, até formar-se marceneiro pelo Senai. Em seguida, aborda as lutas sindicais nos anos anteriores ao Golpe de 1964, período em que se filiou ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) e ao Sindicato dos Têxteis de São Paulo. Relata que, em 1965, concorreu ao cargo de secretário-geral na chapa vitoriosa que disputou a diretoria do sindicato têxtil — entidade sob intervenção desde o golpe. Naquele contexto, detalha o funcionamento do processo eleitoral, a inscrição das chapas, a exigência de antecedentes ideológicos dos participantes e as estratégias adotadas para tomar posse. Descreve ainda como operava a intervenção sindical e as articulações de colaboração entre as entidades mais atuantes para conter a perda de direitos trabalhistas. A trajetória prossegue com lembranças das celebrações do 1º de Maio de 1968, na Praça da Sé, e menções aos assassinatos de Salvador Tolezano, presidente do Sindicato dos Bancários, em janeiro de 1970, e de Olavo Hanssen, em maio do mesmo ano. Sobre a repressão sofrida, relata sua prisão em 13 de novembro de 1973, quando foi conduzido ao Deops/SP e mantido incomunicável por 19 dias, destacando os esforços de sua esposa para localizá-lo. Oferece detalhes sobre os ambientes pelos quais passou no prédio do Deops/SP, os companheiros com quem dividiu cela e os registros de sua militância no PCB apresentados para ele pelos agentes policiais. Sobre os períodos em que esteve encarcerado no Presídio do Hipódromo, especifica suas duas passagens: a primeira, entre fevereiro e abril de 1974, após a transferência do Deops/SP; e a segunda, entre agosto de 1974 e julho de 1975, quando cumpriu onze meses de pena após julgamento e condenação pelo Superior Tribunal Militar. Recorda que, ao sair em liberdade pela primeira vez, em abril de 1974, descobriu ter sido destituído do cargo no sindicato por decisão da Delegacia Regional do Trabalho. Discorre sobre as dificuldades de reinserção no mercado de trabalho após o encerramento das prisões, cita as viagens que realizou pela América Latina e pela Europa em missão pelo PCB durante os anos 1970 e conclui explicando como começou a participar do Fórum Permanente de Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo.
Entrevistadores
Julia Gumieri e Vanessa Miyashiro
Duração (minutos)
165
Operador de câmera
Nael Souza
Local da entrevista
Estúdio de História Oral do Memorial da Resistência
Como citar
CSEH, Paulo. Entrevista sobre militância, resistência e repressão durante a ditadura civil-militar. Memorial da Resistência de São Paulo, entrevista concedida a Julia Gumieri e Vanessa Miyashiro em 08/05/2024.
Assuntos: Eventos
Golpe de 1964 | Assassinato de Olavo Hansen por agentes da repressão | Assassinato de Vladmir Herzog por agentes da repressão | Desaparecimento de Nestor Vera por agentes da repressão | Assassinato de Salvador Tolezano | Greve de Osasco
Assuntos: Lugares
Praça da Sé | Estação da Luz | Deops/SP | Presídio do Hipódromo | Praça Vladimir Herzog | Praça Doutor João Medes