
Entrevista com Paulo Vannuchi
Dados gerais
Testemunho completo
Título
Entrevista com Paulo Vannuchi
Código da entrevista
C211
Data da entrevista
22/05/2024
Resumo da entrevista
O entrevistado inicia seu relato abordando o começo de sua militância política ao ingressar no curso de Medicina da USP, em 1969, sua prisão em 1971, sua trajetória acadêmica e suas atividades no momento da gravação. Explica que seu envolvimento no Projeto Brasil: Nunca Mais decorreu de um convite de Luiz Eduardo Greenhalgh para trabalhar no Instituto Sedes Sapientiae, trabalho este que derivou em uma pesquisa sobre a tortura no país. Relata a rede de solidariedade formada em prol dos presos políticos em São Paulo no final dos anos 1970 e menciona que tomou conhecimento dos métodos de tortura da ditadura a partir das visitas feitas a seu irmão, Pedro Vannucchi, estudante de Medicina e militante da Ação Popular (AP), preso em 1969. Relembra também alguns dos advogados que se dedicaram à defesa de presos políticos no período.
Em seguida, detalha como a ideia do Projeto Brasil Nunca Mais surgiu a partir de uma proposta apresentada por Eny Raimundo Moreira a Charles Harper, do Conselho Mundial de Igrejas, visando ao financiamento de um projeto clandestino de levantamento de evidências sobre as torturas. Descreve a articulação do grupo de pesquisadores para iniciar o trabalho por meio da obtenção de cópias de processos do Supremo Tribunal Militar, acessados por advogados e fotocopiados em Brasília. Acrescenta que, a partir da leitura dessas peças judiciais, a equipe percebeu a presença de informações detalhadas sobre a tortura nos próprios depoimentos dos réus.
Na sequência, explica que Vânia Santana e Leda Corazza desenvolveram um instrumento de pesquisa para sistematizar os dados encontrados e coordenaram a microfilmagem do material para garantir sua preservação. Menciona como Jaime Wright viabilizava a entrada no país do financiamento oriundo da Suíça. Destaca que Egydio Salles Filho e Eny Raimundo Moreira dedicaram-se à análise jurídica dos casos, enquanto Cândido Pinto ficou responsável por coordenar a informatização do instrumento de pesquisa. Recorda que, no terceiro ano de trabalho, foi necessário ampliar a equipe para realizar o tratamento quantitativo das informações, incorporando pessoas que atuavam nas comunidades de base.
Aborda o processo de mudança constante de local de trabalho por razões de segurança e registra que, na fase final, Ricardo Kotscho e Frei Betto juntaram-se ao grupo para organizar os volumes. Relata a busca por editoras dispostas a publicar a obra até a definição pela editora Vozes, de Petrópolis (RJ), e conclui comentando as inseguranças que cercaram o lançamento do livro Brasil: Nunca Mais no contexto de transição do regime militar para o governo civil.
Explica como foi decidido o formato final da obra e analisa as estratégias empregadas pelo regime militar para ocultar a prática da tortura, ressaltando a importância do Brasil: Nunca Mais no registro e documentação dessas violações. Reflete sobre os desafios enfrentados pelo terceiro governo Lula na preservação da democracia contra novas ameaças, sugerindo medidas de reparação que considera pertinentes, para além da responsabilização judicial. Ademais, discute a permanência da tortura e da violência policial na atualidade, relacionando-as diretamente às violações de direitos humanos perpetradas durante a ditadura. Por fim, revela como sua participação na elaboração do livro tornou-se pública devido a uma entrevista concedida ao jornalista Zuenir Ventura.
Entrevistadores
Carolina Junqueira, Vanessa Miyashiro e Diego Matos
Duração (minutos)
68
Operador de câmera
Vitor Bacillieri
Local da entrevista
Estúdio de História Oral do Memorial da Resistência
Como citar
VANNUCHI, Paulo. Entrevista no âmbito da exposição “Uma vertigem visionária – Brasil Nunca Mais”. Memorial da Resistência de São Paulo. Entrevista concedida a Carolina Junqueira, Vanessa Miyashiro e Diego Matos em 22/05/2024.
Assuntos: Eventos
Assassinato de Vladmir Herzog por agentes da repressão | Assassinato de Manoel Fiel Filho por agentes da repressão | Assassinato de Honestino Monteiro Guimarães por agentes da repressão | Publicação do Projeto Brasil: Nunca Mais
Assuntos: Lugares
Instituto Sedes Sapientiae | Pontifícia Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo | Complexo Penitenciário do Carandiru | DOI-Codi/SP