PERCURSO CURATORIAL
Carandiru: lugar de memória
Segunda a sexta (exceto às terças)
10 às 18 horas
1º andar
Entrada gratuita
Os lugares de memória, em sua dimensão material, são edifícios, monumentos ou ruínas que concentram experiências individuais e coletivas, constituindo-se como suportes da memória social. Em países como o Brasil, esses espaços desempenham papel fundamental na ressignificação de cenários marcados pela violência e pela resistência, confrontando apagamentos e estimulando reflexões sobre direitos humanos, democracia e justiça. O prédio do Memorial da Resistência de São Paulo, onde funcionou o Deops/SP, assume um novo significado ao expor múltiplas vivências de resistência contra o autoritarismo estatal.
A Casa de Detenção de São Paulo (Carandiru) constitui um lugar de memória marcado pela história do encarceramento em massa, pelas violações sistemáticas de direitos humanos e pelo massacre ocorrido em 2 de outubro de 1992, quando 111 pessoas foram mortas durante uma intervenção da Polícia Militar, segundo dados oficiais. Embora grande parte do complexo tenha sido demolida e o local transformado no Parque da Juventude, os remanescentes arquitetônicos preservados e as ações de sobreviventes, familiares e movimentos sociais mantêm viva a memória das pessoas que ali viveram, reafirmando a importância da preservação dessas narrativas para a construção da memória coletiva.
Com a proposta de ampliar as pesquisas sobre a Casa de Detenção, o Memorial da Resistência realiza, em parceria com o Grupo de Pesquisa em Direito e Violência de Estado da FGV Direito SP e o Coletivo Memórias Carandiru, o percurso curatorial Carandiru: lugar de memória.
Coletivo Memórias Carandiru
O Coletivo Memórias Carandiru é composto por egressos e familiares do sistema prisional masculino e feminino, sobreviventes de massacres e do encarceramento. O Coletivo se dedica a produzir e difundir roteiros de memória, atividades pedagógicas e intervenções artístico-culturais.
Grupo de Pesquisa em Direito e Violência de Estado da FGV Direito SP
O Grupo de Pesquisa em Direito e Violência de Estado da FGV Direito SP investiga o papel desempenhado por normas, processos e instituições jurídicas em múltiplas formas de precarização da vida pelas mãos do Estado, em especial da polícia e da prisão. O interesse é conhecer e desarmar os obstáculos que enfraquecem ou impedem a apuração, o reconhecimento, a responsabilização, a reparação e a memorialização da violência estatal. A parceria com o Memorial da Resistência permitiu condensar, neste percurso curatorial, parte dos resultados das pesquisas que vêm sendo desenvolvidas pelo Grupo com apoio da Fapesp (APR 2023/14072-5).


