Dados gerais
Título
Entrevista com Maria Aparecida dos Santos
Código da entrevista
C166
Entrevistados
Data da entrevista
24/08/2022
Resumo da entrevista
A entrevistada inicia seu relato contando sobre a infância e a adolescência na Cidade Dutra, zona sul de São Paulo (SP). Conta que não se sentia pertencente à escola de freiras particular onde estudava como bolsista, por sua cor e religião, vivenciando situações de discriminação. Relata que o pai era policial civil, mas não tinha posições ortodoxas, o que fez com que sua casa fosse vigiada durante a ditadura. Conta sobre seu envolvimento nas Diretas Já e as reuniões das quais participou na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e na Igreja do Largo da Santa Cecília. Conta sobre o envolvimento no movimento de alfabetização de adultos. Relata as estratégias para participar das mobilizações com seus filhos, então crianças. Conta que a mãe era “conhecedora de ervas” e reflete sobre o caráter subversivo das práticas dela para ajudar as pessoas, sobretudo mulheres do bairro. Conta que sua casa era um espaço aberto para práticas do candomblé. Relata o que a vizinhança dizia sobre a vigilância à sua casa. Conta como se deu a sua aproximação com o candomblé e a relação da família com a religião. Relata a formação do terreiro Ilê Asé Oyá Eledá Orí, do qual é líder religiosa, e sua relação com o território em que está localizado. Reflete sobre os processos de invisibilização de pessoas negras durante a ditadura. Conta sobre os papéis de gênero nas religiões de matriz africana e a importância das mulheres como referências religiosas. Conta sobre a participação no Movimento Negro Unificado (MNU). Conta sobre o seu envolvimento com o Partido dos Trabalhadores (PT). Relata como eram as reuniões políticas realizadas em igrejas do centro de São Paulo durante a ditadura. Reflete sobre o mito da democracia racial sustentado pela ditadura. Finaliza a entrevista discutindo as memórias da ditadura e a importância de registrar suas memórias.
Entrevistadores
Yuri Fraccaroli | Julia Gumieri
Duração (minutos)
120
Operador de câmera
Jamerson Lima
Local da entrevista
Memorial da Resistência de São Paulo
Como citar
SANTOS, Maria Aparecida dos. Entrevista sobre gênero, raça, resistência e repressão durante a ditadura civil-militar. Entrevista concedida a Yuri Fraccaroli e Julia Gumieri em 24/08/2022 no Memorial da Resistência de São Paulo por meio do “Projeto Percursos Curatoriais Gênero e Ditadura” desenvolvido em parceria com o Acervo Bajubá.


