Dados gerais
Título
Entrevista com Victoria Principal
Código da entrevista
C193
Entrevistados
Data da entrevista
06/12/2023
Resumo da entrevista
A entrevistada conta que cresceu em uma família pobre, com cinco irmãos. Sua mãe era vendedora ambulante nas ruas de São Paulo e levava as crianças para trabalharem com ela, o que a impediu de estudar. Relata como era o cotidiano de vendas nas ruas da Boca do Luxo. Conta que, inicialmente, viveram na Vila Formosa, mas se mudaram para um cortiço na Avenida 23 de Maio, de onde foram retirados pelo então prefeito Jânio Quadros e realojados na Zona Sul. Narra que, aos 10 anos, fugiu para o Rio de Janeiro com outro garoto. Ela relata suas referências musicais e como fazia para aprender as letras das músicas. Explica o que é ser uma artista caricata, as características da sua montação e das apresentações, além de suas referências nesse estilo de arte transformista. Conta como surgiu o nome Victoria Principal, como aprendeu os truques de maquiagem, a relação com outras artistas e com os empresários das casas noturnas e como era a rotina de shows. Relata as diferenças entre as artistas transformistas, seus estilos de montação e de apresentação. A entrevista descreve outros espaços da noite de São Paulo entre as décadas de 1980 e 1990: Nostro Mondo, as casas noturnas da Andréa de Mayo, Rave, Gent’s e A Lôca. Ela fala sobre os efeitos da epidemia de HIV/Aids em seu entorno social, relembra artistas transformistas que faleceram e narra o processo de adoecimento e morte de sua mãe. A entrevistada também relata os questionamentos que já se fez sobre sua identidade de gênero, em um momento em que cogitou se era travesti. Conta sobre suas participações na Parada do Orgulho LGBT de São Paulo e as diferenças entre as primeiras edições e os eventos atuais. Narra como é se manter como artista transformista na atualidade, destacando casas noturnas como o bar Queen, Tunnel e Blue Space. Relata o trânsito entre as casas do centro de São Paulo e sua relação com a segurança. Fala sobre sua vida afetiva e a dificuldade de se relacionar por ser uma artista transformista. Por fim, conta sobre a importância de ter voltado a estudar aos 45 anos e ressalta o valor de compartilhar sua história e de fazer parte do acervo de um museu.
Entrevistadores
Marcos Tolentino, Angel Natan, Lufer Sattui Mejia e Julia Gumieri
Duração (minutos)
84
Operador de câmera
Nael Souza
Local da entrevista
Memorial da Resistência
Como citar
Principal, Victoria. Entrevista sobre gênero, resistência e repressão durante a ditadura civil-militar. Memorial da Resistência de São Paulo. Entrevista concedida a Marcos Tolentino, Angel Natan, Lufer Sattui Mejia e Julia Gumieri, em 06/12/2023, por meio da parceria com o Acervo Bajubá.
Assuntos: Lugares
Boate Homo Sapiens | Largo do Arouche | Boate Nostro Mundo | Avenida Vieira de Carvalho | Hospital Emilio Ribas


