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Violência espraiada

POR LUIZA GUERRA

As repressões da ditadura civil-militar e os movimentos de resistência popular não ficaram restritos aos centros urbanos. Se espraiavam pelas cidades interioranas, que assim como o resto do país, ainda sofre as consequências dos 21 anos de violência. Após o fim da ditadura militar, as agressões policiais se multiplicaram. E os aparelhos de repressão (institucionalizados durante o regime militar) evoluíram e penetraram cada vez mais fundo nas periferias das cidades, especificamente no Jardim das Cerejeiras, em Atibaia. 

A vida da família Lucena foi atravessada pela repressão da ditadura civil-militar de 1964, com a execução de Antônio Raymundo de Lucena, militante da VPR, em sua residência diante de seus três filhos e de sua companheira, Damaris Lucena. Damaris foi presa pela polícia atibaiense e levada à delegacia da cidade, onde foi barbaramente torturada por delegados da região. Passados mais de 50 anos, o bairro Jardim das Cerejeiras, onde ocorreu o assassinato de Raymundo, continua a ser um território periférico vulnerável e exposto à violência das forças de segurança pública. 

A partir da história da família Lucena, a série de reportagens especiais Violência Espraiada cria conexões sobre como os aparelhos de repressão se comportaram na cidade interiorana durante a ditadura, como se comportam hoje, e como moradores e moradoras conseguiram se organizar para edificar modelos orgânicos de segurança popular. 

A série de reportagens especiais faz parte do edital Memórias do Presente, dedicado ao fomento de pesquisas e conteúdos jornalísticos voltados às memórias da Ditadura Civil-Militar (1964-1985) nas periferias de cidades de São Paulo. Saiba mais.