Largo General Osório, 66 Santa Ifigênia, São Paulo, SP Telefone: 55 11 3335-5910 Entrada Gratuita Aberto de quarta a segunda (fechado às terças), das 10h às 18h faleconosco@memorialdaresistenciasp.org.br
A entrevistada inicia seu relato dizendo que nunca teve recordações boas da infância, devido às experiências de violência sofridas por parte de familiares no Ceará. Em 1980, sua mãe a trouxe para viver em São Paulo. Conta que, em 1982, começou a prostituir-se próximo ao Hipódromo de Cidade Jardim. Relata quando começou a frequentar a Prohibidu’s. Relata que foi expulsa de casa por sua mãe, pois seu padrasto não a aceitava. Anos depois, contudo, reaproximou-se quando juntou dinheiro para comprar um imóvel para ela e seus irmãos, em Osasco (SP). Relata como Isabelita dos Patins, no carnaval do Rio de Janeiro (RJ), em 1987, lhe deu o nome Miriam. Conta que Roberta Close e Rogéria foram suas duas referências sobre o que era ser uma travesti, mas analisa as diferenças entre suas experiências e a delas. Relata o seu processo de transição de gênero e as mudanças no seu corpo resultantes do uso de hormônios. Conta sobre os desafios encontrados na vida afetiva e em situações de violência nas ruas. Relata alguns episódios de violência com a polícia de São Paulo e como era o processo de assinar a vadiagem na delegacia. Recorda episódios envolvendo outras pessoas LGBT e travestis contemporâneas a elas, que sofreram violência policial. Descreve como era a região da Luz e da Boca Lixo no início dos anos 1980, especificamente os arredores do prédio do Deops/SP. Conta sobre a difusão da aplicação de silicone industrial entre as travestis de São Paulo. Reflete sobre a importância de ter mulheres transexuais e travestis em cargos de gestão pública. Finaliza a entrevista contando sobre o que significa para ela ser uma sobrevivente.
Entrevistadores
Marcos Tolentino e Julia Gumieri
Duração (minutos)
175
Operador de câmera
Vitor Bacillieri
Local da entrevista
Memorial da Resistência
Como citar
Silva, Miriam. Entrevista sobre gênero, resistência e repressão durante a ditadura civil-militar. Memorial da Resistência de São Paulo. Entrevista concedida a Marcos Tolentino e Julia Gumieri, em 30/11/2023, por meio da parceria com o Acervo Bajubá.