Dados gerais
Título
Entrevista com Miriam da Silva
Código da entrevista
C192
Entrevistados
Data da entrevista
30/11/2023
Resumo da entrevista
A entrevistada inicia relatando que nunca teve recordações boas da infância. Conta que sua infância e adolescência foram marcadas pela violência que sofreu por parte de pessoas da própria família. Em 1980, sua mãe a trouxe para viver em São Paulo. Em 1982, começou a se prostituir próximo ao Hipódromo de Cidade Jardim, a convite de uma travesti chamada Kelly. Narra o seu processo de transição de gênero e relata quando começou a frequentar uma das casas noturnas administradas por Andrea de Mayo e o centro de São Paulo. Conta que foi de carona até a Argentina acompanhada de uma amiga travesti chamada Micaela. Relata que foi expulsa de casa por sua mãe, pois seu padrasto não a aceitava, mas que, anos depois, reaproximou-se dela quando conseguiu juntar dinheiro para comprar um imóvel para a mãe e os irmãos, em Osasco. Conta suas primeiras impressões sobre São Paulo ao chegar na cidade e os primeiros trabalhos que conseguiu. Relata como Isabelita dos Patins, no carnaval do Rio de Janeiro, em 1987, lhe deu o nome Miriam. Conta que Roberta Close e Rogéria foram suas duas referências sobre o que era ser uma travesti, mas analisa as diferenças entre as experiências delas e a sua. Narra um episódio recente de abordagem policial e como fez para defender seus direitos. Relata o processo de transição de gênero e as mudanças no corpo resultantes do uso de hormônios. Conta sobre os desafios encontrados na vida afetiva e situações de violência nas ruas. Reflete sobre sua relação com mulheres travestis e transexuais mais jovens. Relata alguns episódios de violência com a polícia de São Paulo e como era o processo de assinar a vadiagem na delegacia. Recorda episódios envolvendo outras pessoas LGBT e travestis contemporâneas a ela, que sofreram violência policial. Descreve como era a região da Luz e da Boca do Lixo no início dos anos 1980, especificamente os arredores do prédio do Deops. Conta sobre suas experiências na Prohibidus e sobre a prática das travestis de aplicar silicone no corpo. Relata a exposição das travestis em programas televisivos. Reflete sobre sua relação com o próprio corpo e sobre a importância de ter mulheres transexuais e travestis em cargos de gestão pública. Conta sobre a última vez que viu seu pai com vida e finaliza a entrevista contando o que significa para ela ser uma sobrevivente.
Entrevistadores
Marcos Tolentino e Julia Gumieri
Duração (minutos)
175
Operador de câmera
Vitor Bacillieri
Local da entrevista
Memorial da Resistência
Como citar
Silva, Miriam. Entrevista sobre gênero, resistência e repressão durante a ditadura civil-militar. Memorial da Resistência de São Paulo. Entrevista concedida a Marcos Tolentino e Julia Gumieri, em 30/11/2023, por meio da parceria com o Acervo Bajubá.
Assuntos: Eventos
Assuntos: Lugares
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