Boca do Lixo
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Matéria do Diário da Noite de 05 de março de 1955 sobre a política de encarceramento em massa de prostitutas pela Delegacia de Costumes. "E então está acontecendo o que o Diário da Noite, neste sensacional flagrante mostra aos seus leitores, num xadrez do Departamento de Investigações, onde normalmente cabem dez presas, são empilhadas setenta." Arquivo Público do Estado de São Paulo PLM_2017_Foto01
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Em 1977, a Polícia Civil, incomodada com o constante aumento da presença de travestis no espaço público, encomendou ao delegado Guido Fonseca um estudo sobre a prostituição masculina na cidade - termo utilizado pela polícia sem estabelecer diferenciação entre michês e travestis. O estudo é realizado a partir dos Termos de Declaração recolhidos por Guido e produzidos pela polícia após a Portaria 390 de 1976 da Delegacia Seccional Centro, que autorizava a prisão de travestis para averiguação. PLM_2017_Foto04
Dados gerais
Nome
Boca do Lixo
Registro no Inventário
217-13.001
Cidade
Endereço
Perímetro compreendido entre a Rua dos Timbiras, Avenida São João, Avenida Duque de Caxias e Rua Mauá.
Verbete
A Boca do Lixo surge em 1954 entre as ruas e hotéis do bairro Santa Ifigênia, reunindo aproximadamente 40 quadras no maior território de prostituição da história de São Paulo. Marcada pela proliferação das drogas, intensa liberação sexual e popularização da presença transexual, a resposta por moralidade na região tornou comum as detenções em massa, que, realizadas sob o pretexto de averiguação, contavam com a carceragem do 3º DP e do DEIC, nos arredores. Permeada por conflitos, foi nos anos 60 e 70 que a Boca se tornou o maior polo cinematográfico do país, potencializado pelas estações de trem e pelo Terminal Rodoviário, fechado em 1982. Da Rua do Triunfo saíram O Pagador de Promessas e, em tempos ditatoriais, as famosas pornochanchadas. Nessa época, os muitos bares da região abrigavam diretores, atrizes, cafetões, prostitutas e a baixa boemia. Existindo até meados dos anos 80, a Boca do Lixo, como espaço organizado, sofreu com o abandono do poder público e hoje, marcada pela população local de baixa renda, vive processos de “revitalização” forçados e de violência policial, principalmente contra a população de rua e usuários de droga do reduto conhecido como Cracolândia.
Classificação
Contexto histórico
Ditadura Civil-Militar (1964-1985)
Usos e funções
Apoio a perseguidos políticos | Artes de contestação | Assassinato por agentes da repressão | Atentado | Censura | Detenção de militantes políticos | Invasão por Forças de Segurança | Manifestação pública contra o regime | Movimento LGBT | Resistência feminina
Lugares relacionados
Deops/SP | Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) | Praça da República | Praça Ramos de Azevedo | Largo do Arouche | Boca do Luxo | Estrada de Ferro Santos - Jundiaí | Presídio do Hipódromo | Theatro Municipal | 3º Distrito Policial - Campos Elíseos (3ºDP) | Praça Júlio Mesquita
Autoria do verbete
Julia Gumieri











