Largo General Osório, 66
Santa Ifigênia, São Paulo, SP
Telefone: 55 11 3335-5910
Entrada Gratuita
Aberto de quarta a segunda (fechado às terças), das 10h às 18h
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Expressões da resistência ganham destaque em duas novas exposições no Memorial da Resistência

Mostras temporárias No olho da rua e Não se assuste, pessoa exploram as artes visuais e o midiativismo como formas de ação política, construção da memória e enfrentamento à repressão.

Fotos: À esquerda, pintura em papel produzida pelo ex-preso político Carlos Takaoka durante prisão no Deops/SP (1SCS). Coleção Alípio Freire / Acervo Memorial da Resistência de São Paulo. À direita, cortejo do bloco de carnaval Ilu Inã registrado pelo fotógrafo Sato do Brasil(2020).

O Memorial da Resistência de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, realiza, no dia 27 de junho de 2026, às 11h, a abertura de duas exposições temporárias que abordam as maneiras como expressões e produções artísticas são ferramentas de luta e resistência.

Com curadoria do pesquisador Tálisson Melo, a exposição Não se assuste, pessoa apresenta um recorte inédito e amplo da Coleção Alípio Freire, acervo do Memorial da Resistência de obras visuais produzidas no cárcere durante a Ditadura Civil-Militar, doada ao museu pela ex-presa política Rita Sipahi. Já a mostra No olho da rua, com projeto curatorial da pesquisadora Juliana Caffé, traz o acervo fotográfico do artista, ativista e fotojornalista Sato do Brasil, que documenta manifestações por direitos e expressões públicas nas ruas.

Constituídas de obras, acervos e conceitos curatorias de diferentes naturezas, contextos e períodos históricos, as mostras dialogam ao apresentarem como a arte pode ser usada como ferramenta de manifestação política e de disputa narrativa na luta pela democracia através das décadas. Duas exposições que convidam à reflexão sobre a permanência das expressões artísticas como forma de enfrentamento à repressão e de construção da memória.

Não se assuste, pessoa

Em mais de 300m², a exposição parte da Coleção Alípio Freire, acervo de trabalhos de ex-presos políticos produzidos nos presídios de São Paulo durante o período ditatorial, reunidos por Alípio Freire e Rita Sipahi, e doado ao Memorial da Resistência. Esta é a primeira mostra realizada pelo museu dedicada à Coleção após a incorporação ao seu acervo.

Realizadas em condições de confinamento, vigilância e violência de Estado, as obras revelam diferentes estratégias encontradas pelos presos para preservar vínculos afetivos, expressar ideias e afirmar suas subjetividades diante da repressão. Indo além dos registros de um período histórico, os trabalhos evidenciam como a prática artística se tornou um espaço de autonomia e resistência dentro do sistema prisional. O percurso apresenta essas obras separadas pelos presídios onde foram produzidas, trazendo o contexto histórico do período, ampliando a compreensão das práticas cotidianas de repressão e de resistência durante a Ditadura Civil-Militar.

Também são apresentadas obras do acervo da Pinacoteca de São Paulo produzidas por artistas que atuavam fora do cárcere durante as décadas de 1960 e 1970. Ao aproximar essas produções, a exposição evidencia diálogos entre diferentes formas de criação artística mobilizadas em resposta ao autoritarismo, à censura e às violações de direitos ocorridas durante a ditadura.

Obras contemporâneas incorporadas ao percurso expositivo ampliam a discussão para o tempo presente, convidando o público a refletir sobre a preservação dos valores democráticos e a permanência de práticas autoritárias na sociedade brasileira.

O título da exposição faz referência ao verso inicial da canção Dê um rolê, composta por Moraes Moreira e Luiz Galvão e lançada pelos Novos Baianos em 1971, período marcado pela censura e pela perseguição a artistas e movimentos culturais.

No olho da rua

Com apoio da organização de direitos humanos dedicada à defesa da liberdade de expressão e do direito ao protesto, ARTIGO 19, a mostra aborda a importância do midiativismo e da comunicação independente no Brasil, especialmente a partir das transformações nos modos de circulação da informação que ganharam força após as Jornadas de junho de 2013. Nesse contexto, coletivos de comunicação passaram a disputar narrativas sobre acontecimentos políticos e sociais, ampliando a circulação de informações para além dos grandes veículos de imprensa.

Composta integralmente por fotos do artista, ativista e fotojornalista Sato do Brasil, a exposição apresenta mais de uma década de registros em manifestações, ocupações e mobilizações sociais na cidade de São Paulo, produzidas com aparelhos celulares, entendidos pelo artista como uma importante ferramenta de documentação, construção e difusão dos movimentos populares contemporâneos.

As fotografias reunidas na exposição retratam diferentes formas de organização coletiva e ocupação do espaço urbano. Ao documentar encontros, intervenções e experiências de convivência nas ruas, as imagens revelam como a fotografia se tornou também uma ferramenta de participação política e construção de memória.

A trajetória de Sato está ligada a coletivos e iniciativas de comunicação independente, entre eles Jornalistas Livres, Frente 3 de Fevereiro, Ocupe a Mídia, Nós Artivistas e Condô Cultural.

A exposição também apresenta um mapeamento de grupos organizados da sociedade civil que ajuda a compreender as redes de articulação e solidariedade construídas na cidade de São Paulo.

Organizado em quatro eixos: “Encontrar”, “Ocupar”, “Intervir” e “Conviver”, o percurso expositivo convida a acompanhar diferentes formas de presença coletiva no espaço público e refletir sobre como as imagens participam ativamente da construção das narrativas sobre esses acontecimentos.

Governo do Estado de SP

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