Neste ano, o edital se voltou para as memórias de resistência e repressão de mulheres durante a ditadura civil-militar (1964-1985).
No último dia 8 de março, Dia Internacional das Mulheres, o Memorial da Resistência de São Paulo divulgou o resultado do edital Memórias do Presente: Comunicação em Direitos Humanos, uma iniciativa que busca fomentar pesquisas e conteúdos jornalísticos que contribuam para a defesa dos direitos humanos e para a preservação das memórias sobre os períodos ditatoriais brasileiros.
Voltada a pesquisadores, jornalistas, comunicadores e coletivos jornalísticos de todo o Brasil que atuam de forma independente, a segunda edição do edital traz como tema “Ditadura e Gênero” ao enfocar as memórias de resistência e repressão de mulheres – cisgêneros, transexuais e travestis – durante a ditadura civil-militar (1964-1985).
Conheça as participantes e as propostas selecionadas:

Julia Kumpera
Pesquisadora, professora de história e ativista lésbica. Mestre em história pela Universidade Estadual de Campinas. Cofundadora das iniciativas: Coletiva Visibilidade Lésbica (2016), de ação político-social na cidade de Campinas, e o Arquivo Lésbico Brasileiro (2020), na qual coordenou a Comissão de Acervo e Patrimônio durante 2021
Lesbianidade em tempos verde-oliva: políticas repressivas e sociabilidade lésbica
A proposta de Julia consiste na elaboração de uma reportagem especial sobre as relações entre lesbianidade e ditadura civil-militar, com enfoque prioritário no aparato repressivo, na circulação de discursos sobre a sexualidade e na sociabilidade lésbica na cidade de São Paulo. Com isso, propõe-se mostrar que o projeto nacional, político e cultural da ditadura foi constituído por concepções de gênero.

Nahayanna Sorgon Anholeto
Historiadora graduada pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) e mestranda em Desenvolvimento Econômico pelo Instituto de Economia (IE-UNICAMP). Atua na linha de História Econômica e História do Pensamento Econômico Brasileiro e Latino-Americano, com ênfase no processo de formação da classe trabalhadora na América Latina.
Voo de colibri em céu de urubu
A proposta de Nahayanna apresenta um podcast contando a história de Marília Guimarães. A professora, militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), tinha 22 anos quando sequestrou o avião Caravele, em janeiro de 1970 com o objetivo de chegar em Cuba, onde conseguiriam asilo político.
As propostas selecionadas serão publicadas nos próximos meses, no site e nas redes sociais do Memorial. Acesse o parecer da Comissão de Seleção do edital Memórias do Presente: Comunicação em Direitos Humanos clicando aqui.


