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Escola de Samba e a Resistência Negra durante o Regime Militar

POR DJALMA CAMPOS

Durante o período da Ditadura Civil-Militar (1964-1985) o país se viu perante a ações de autoritarismo, censura, cassação de direitos políticos, e em muitas situações, o registro de casos de violência contra quem se arriscasse a enfrentar a força do regime militar. Com as escolas de samba de São Paulo, formada por comunidades majoritariamente negras, a repressão não foi diferente.

A série Escolas de Samba e a Resistência Negra durante o Regime Militar, em formato de podcast, investiga a partir de entrevistas a resistência à Ditadura no universo das escolas de samba e das comunidades do samba da capital paulista e Grande São Paulo. 

Dividida em quatro episódios, a série foi desenvolvida pelo jornalista Djalma Campos, apresentador do podcast Seis e Um, e é resultado do edital Memórias do Presente: Comunicação em Direitos Humanos, realizado pelo Memorial da Resistência.

Episódio 1: Os Heróis do Peruche

No Carnaval de 1972, a escola de samba Unidos do Peruche pensava em desfilar o enredo “Chamada aos Heróis da Independência”. Em meio ao Regime Militar, a agremiação da zona norte de São Paulo incluiu em seu tema homenagens às revoltas como a Inconfidência Mineira e a Revolta dos Alfaiates, na Bahia. E começou ali um episódio em que os sambistas foram vítimas da violência, pressões e a interferências dos militares no dia-a-dia da escola. No primeiro episódio, o jornalista Djalma Campos conversa com Carlos Alberto Caetano, o seu Seu Carlão do Peruche, um dos poucos sambistas da escola capazes de contar a história em primeira pessoa.

Episódio 2: Camisa Verde e Branco – Negro é Capitão, Negro é General

No Carnaval de 1982, a escola Camisa Verde e Branco conseguiu driblar a censura e desfilar o enredo do compositor Talismã, “Mutuo Mundo Kitoko”, que tinha como objetivo exaltar as tradições negras e saudar a força da negritude. Em 1983, a escola tentou levar às avenidas um enredo sobre o líder da Revolta da Chibata, João Cândido, mas foi censurada pelo regime.

No segundo episódio da série, o jornalista Djalma Campos conversa com Magali dos Santos e Simone Tobias, ex-presidentes da escola, e viúva e filha de Carlos Alberto Tobias.

Crescimento x Opressão e Falta de Liberdade

Além da opressão, censura e violência contra as escolas, o período do regime militar marcou uma fase de crescimento das escolas de samba de São Paulo, e registrou o início da profissionalização dos carnavais, o que mostra uma das facetas da Ditadura: o uso da cultura como vetor de referencias culturais do regime. 

No terceiro episódio da série, o jornalista Djalma Campos conversa com Fernando Penteado, um dos mais antigos integrantes da escola de samba Vai-Vai, com o sociólogo e sambista Tadeu Kaçula, com o sambista Osvaldinho da Cuíca e com o presidente da Federação Nacional das Escolas de Samba (FENASAMBA) Kaxitu Ricardo Campos.

O Mistério do Pato N’Água

Em 1968, o assassinato de um dos nomes mais famosos do carnaval paulistano jogou luz sobre uma série de problemas que as escolas de samba da cidade já vinham enfrentando desde quando os militares tomaram poder no país. A morte de Pato N’Água é considerada até os dias de hoje o caso mais misterioso e violento envolvendo as escolas de samba de São Paulo durante a Ditadura Militar.

No quarto e último episódio da série, Djalma Campos investiga quem foi Pato N’Água, e os mistérios que envolvem sua morte, muitas vezes associada ao grupo de extermínio Esquadrão da Morte.

O podcast “Escolas de Samba e a Resistência Negra no Regime Militar”, produzido pelo jornalista Djalma Campos (Seis e Um), é resultado do edital Memórias do Presente, realizado pelo Memorial da Resistência.

Acompanhe os episódios na sua plataforma de áudio preferida: