Entrevista coletiva com Flávio Carrança, Helenalda Resende e Marta Costta
Dados gerais
Título
Entrevista coletiva com Flávio Carrança, Helenalda Resende e Marta Costta
Código da entrevista
C180
Coleção
Memórias da ditadura civil-militar > Coleta Pública de Testemunhos sobre militância, resistência e repressão durante a ditadura civil-militar.
Entrevistados
Ivan Akselrud de Seixas | Luiz Eduardo Greenhalgh | Maria Amélia de Almeida Teles
Data da entrevista
06/03/2023
Resumo da entrevista
Helenalda Resende inicia a Coleta Pública de Testemunhos abordando sua origem familiar e a trajetória profissional e política de seu pai, o médico Adalberto de Assis Nazareth, filiado ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). Apresenta o percurso de sua irmã, Helenira Resende, desde o ingresso na Universidade de São Paulo, em 1966, o início da militância no centro acadêmico de Letras, a participação no 30º Congresso da UNE, em Ibiúna (MG), e sua vinculação ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB). O depoimento trata do início da perseguição à família, da prisão de Helenira em Ibiúna (MG), sua passagem à clandestinidade e a manutenção de contatos esporádicos com os familiares.
Aborda o desaparecimento de Helenira no Araguaia, o início das buscas e como a família confirmou a sua morte. Registra a formação do movimento de familiares de desaparecidos do Araguaia, a elaboração dos primeiros dossiês sobre mortos e desaparecidos políticos, com apoio de Dom Paulo Evaristo Arns, e o início do movimento pela Anistia.
A entrevistada informa que o pai faleceu em 1965, cabendo a ela e às irmãs a condução das buscas por Helenira. Menciona a descoberta de ossadas em Oito Barracas (PA), em 1997, supostamente atribuídas à irmã, as iniciativas para localizar cemitérios clandestinos na região do Araguaia, as informações fornecidas por moradores locais e os processos judiciais relacionados ao desaparecimento. O depoimento aborda a relação entre diferentes gerações na preservação da memória, as medidas de segurança adotadas durante as buscas no período da ditadura e os impactos do desaparecimento na família.
Em seguida, sua sobrinha, Marta Costta, aborda o trauma intergeracional vivenciado pela entrevistada em sua família. Registra o início de seu ativismo sindical e sua inserção no movimento negro, bem como o processo de formação da Nova Frente Negra Brasileira. Trata ainda de seu percurso de reconhecimento das trajetórias de sua tia e de seu avô.
Em resposta ao público, a entrevistada relata suas experiências no acompanhamento de caravanas de investigação ao Araguaia, apresentando críticas à iniciativa e sua percepção sobre as homenagens prestadas por moradores da região aos guerrilheiros. O depoimento registra as ações desenvolvidas para a preservação da memória de Helenira, destaca a importância do diálogo intergeracional e aborda os desafios enfrentados pela juventude negra periférica no acesso à informação.
Finalizando a Coleta Pública de Testemunhos, Flávio Carrança inicia o seu relato contando sobre sua história familiar e sua infância na Lapa, em São Paulo (SP). Registra o processo inicial de politização a partir de seu ingresso no Colégio de Aplicação da Universidade de São Paulo (USP), em 1968, quando participou de um grupo de estudos da Ação Libertadora Nacional (ALN). Trata do início de sua militância política no centro acadêmico de Economia, na Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA-USP), e o contato com Hamilton Cardoso, que marcou sua inserção nas discussões do movimento negro.
O depoimento documenta o processo de formação do Movimento Negro Unificado (MNU), fundado em 1978, e registra a articulação de uma comissão de negros no Partido dos Trabalhadores (PT), a partir de proposta do entrevistado. Aborda ainda a prisão do entrevistado e de Hamilton Cardoso, ocorrida em 1981, quando ambos foram levados ao Deops/SP, e o posterior afastamento da militância.
Registra o retorno à atuação política a partir do convite de Sueli Carneiro para participação no Projeto Rappers, desenvolvido pelo Geledés entre 1992 e 1998, bem como as relações entre o movimento rap e a denúncia da violência policial. Aborda a experiência do entrevistado na TV da Gente, criada por Netinho de Paula em 2005, considerada a primeira emissora do país voltada ao público negro. Compartilha suas percepções sobre a repressão durante o período em que integrou o movimento estudantil.
Entrevistadores
Mário Medeiros
Duração (minutos)
206
Local da entrevista
Auditório do Memorial da Resistência de São Paulo
Como citar
Como citar: CARRANÇA, Flávio; COSTTA, Marta; RESENDE, Helenalda. Entrevista sobre militância, resistência e repressão durante a ditadura civil-militar. Memorial da Resistência de São Paulo, entrevista concedida a Mário Medeiros em 03/06/2023.
Assuntos: Eventos
Campanha da Anistia | 30º Congresso da UNE/Congresso de Ibiúna | Fundação do Movimento Negro Unificado | Desaparecimento de Helenira Resende de Souza Nazareth por agentes da repressão | 1º Congresso Nacional pela Anistia
Assuntos: Lugares
Rua Maria Antônia | Cemitério Dom Bosco - Vala de Perus | Universidade de São Paulo (USP)
Assuntos: Organizações
Comitê Brasileiro pela Anistia | Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos | Movimento Negro Unificado | Nova Frente Negra Brasileira | Sindicato dos Bancários de Guarulhos | Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo | Sindicado dos Bancários de São Paulo | Geledés - Instituto da Mulher Negra


