Dados gerais
Título
Tullo Vigevani
Código da entrevista
C182
Coleção
Memórias da ditadura civil-militar > Entrevista sobre militância, resistência e repressão durante a ditadura civil-militar
Entrevistados
Data da entrevista
14/06/2023
Resumo da entrevista
O entrevistado inicia o testemunho apresentando sua origem familiar e o processo de migração da família da Itália para o Brasil. Aborda o início de sua militância no Partido Operário Revolucionário Trotskista (PORT), em 1961, ano em que ingressou na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e passou a atuar no movimento estudantil. Por orientação partidária, dedicou-se ao trabalho de formação de bases em fábricas, chegando a abandonar os estudos para trabalhar na fábrica da Pirelli, em Santo André (SP). Menciona duas detenções que resultaram em sua condução ao Deops/SP: a primeira, em 17 de abril de 1961, durante manifestação contra a invasão de Cuba por tropas estadunidenses; a segunda, em fevereiro de 1965, após uma batida policial de rotina em Mauá (SP). Descreve as torturas sofridas no Deops/SP, as distinções entre interrogadores mais jovens e mais experientes e as condições de detenção nas celas do Fundão. Informa que, por ter sido enquadrado em dois Inquéritos Policiais Militares (IPMs), foi julgado e condenado pela Segunda Auditoria Militar, mas, em razão de habeas corpus, cumpriu a pena em liberdade, com a obrigação de se apresentar ao tribunal três vezes por semana. Posteriormente, fugiu para o Uruguai, onde permaneceu por quatro meses na residência do dirigente trotskista argentino Juan R. Posadas. Após retornar ao Brasil, passou a atuar na produção e distribuição do jornal partidário Frente Operária. Em 2 de agosto de 1970, ao descartar material relacionado à produção do jornal, foi preso e levado ao Deops/SP e, em seguida, ao DOI-Codi/SP. Situa essa prisão no contexto de uma ofensiva repressiva contra o PORT, desencadeada após a prisão e o assassinato de Olavo Hanssen, e analisa as diferenças entre as práticas repressivas do Deops/SP e da Operação Bandeirantes (OBAN). Em decorrência dessa detenção, foi condenado pelo Superior Tribunal Militar (STM) a quatro anos de prisão, com base no artigo 14 da Lei de Segurança Nacional, tendo a pena sido reduzida para um ano e meio após recurso interposto pelo advogado Mário Simas. Destaca o apoio recebido do cônsul da Itália em São Paulo, Antonio Di Stefano, fundamental para viabilizar sua libertação, o reencontro seguro com a família e a partida para o exílio na Itália, em 9 de fevereiro de 1972. No exterior, descreve sua instalação em Roma, as redes de apoio constituídas, a participação em ações de denúncia das torturas praticadas no Brasil, o trabalho desenvolvido junto ao Instituto para as Relações entre a Itália e os países da África, América Latina e Oriente Médio (Ipalmo) e à Fundação Lélio Basso, bem como sua atuação no Tribunal Bertrand Russell II. O depoimento aborda ainda o retorno ao Brasil após a promulgação da Lei de Anistia, o reingresso no mercado de trabalho como docente universitário e consultor da Secretaria de Planejamento da Prefeitura de São Paulo, encerrando-se com uma reflexão sobre a importância do registro de suas memórias em forma de testemunho.
Entrevistadores
Julia Gumieri e Vanessa Miyashiro
Duração (minutos)
111
Operador de câmera
Nael Souza
Local da entrevista
Estúdio de História Oral do Memorial da Resistência
Como citar
VIGEVANI, Tullo. Entrevista sobre militância, resistência e repressão durante a ditadura civil-militar. Memorial da Resistência de São Paulo, entrevista concedida a Vanessa Miyashiro e Julia Gumieri em 14/06/2023.
Assuntos: Eventos
Golpe de 1964 | Assassinato de Olavo Hansen por agentes da repressão | Congresso Internacional de Anistia em Roma | Tribunal Bertrand Russell II
Assuntos: Lugares
Assuntos: Organizações
Código da entrevista
C182
Código da entrevista
C182


