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Em 12 de maio de 1978, os ferramenteiros da fábrica da Scania, em São Bernardo, assumiram seus postos para anunciar que cruzariam os braços. Do setor, a greve irradiou para a fábrica e para outras 27 empresas no ABC. Em poucos meses, 300 mil operários pararam as máquinas no estado. Iniciava-se assim a greve que rompeu com o ostracismo no qual o movimento operário havia sido posto pela ditadura civil-militar, iniciando o ciclo de mobilizações que o colocaria no centro da redemocratização à revelia dos pactos que planejavam excluí-los. Reivindicando aumento salarial de 20%, a greve também iria extravasar insatisfações com as condições de vida e trabalho sobre as quais os operários refletiam coletivamente nos bairros e “no chão das fábricas”. Insurgia-se também contra a falta de democracia nas fábricas e de liberdade sindical. Por tencionar os sindicatos do ABC a deixarem a postura conciliatória que lhes havia sido impressa pelo regime, a greve de 1978 é considerada o marco do surgimento do chamado “novo sindicalismo”, pautado na independência em relação ao Estado, na participação das “bases”, no antagonismo de classe, e na combatividade.