Dados gerais
Nome completo
Tullo Vigevani
Gênero
Masculino
Código do entrevistado
C182
Perfil histórico
Profissão
Perfil de Atuação
Assuntos: Organizações
Biografia
Tullo Vigevani nasceu em Parma, Itália, em 20 de setembro de 1942. Em 1943, com a ocupação do norte da Itália pelo exército nazista e o início da perseguição aos judeus italianos, seus pais refugiaram-se na Suíça. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, a família retornou à Itália, mas o receio de um novo conflito, intensificado com o início da Guerra da Coreia, levou-os a migrar para o Brasil, aonde chegaram em 2 de janeiro de 1951.
Em 1961, iniciou sua militância política no Partido Operário Revolucionário Trotkista (PORT), quando ingressou na Escola Politécnica na Universidade de São Paulo (USP). Em 17 de abril de 1961, foi preso ao participar de uma manifestação contra a invasão de Cuba por tropas estadunidenses, realizada na Praça da Sé e convocada pela Frente da Juventude de Esquerda. Conduzido ao Dops/SP, foi liberado poucas horas depois.
No contexto do golpe de 1964, passou a atuar na clandestinidade. Naquele ano, foi enquadrado em dois Inquéritos Policiais Militares (IPMs): um voltado a professores e estudantes da Faculdade de Medicina da USP ligados a diferentes organizações políticas, e outro destinado a combater a “subversão” entre militares, em razão de suas relações com integrantes das três forças armadas e da Força Pública no contexto de sua militância estudantil.
Em 20 de fevereiro de 1965, foi preso durante uma batida policial de rotina em Mauá (SP), junto com dois irmãos de Olavo Hanssen, também militantes do PORT, sendo levado ao Deops/SP. Embora os IPMs já estivessem encerrados, foi denunciado pela Promotoria à Segunda Auditoria Militar e condenado a dois anos de prisão. Como ainda vigorava um recurso de habeas corpus, foi libertado em 20 de abril de 1965, com a assistência do advogado Basileu Garcia, ficando obrigado a se apresentar à auditoria três vezes por semana. Apesar disso, fugiu para o Uruguai, onde morou por quatro meses na casa do líder trotskista argentino Juan R. Posadas.
Em 2 de agosto de 1970, foi novamente preso, desta vez enquanto descartava exemplares do jornal partidário Frente Operária, sendo levado ao Deops/SP. Dois dias depois, foi transferido para o DOI-Codi/SP. Sua esposa, Maria do Socorro de Carvalho Vigevani, grávida à época, foi presa em casa, obrigada a assistir a algumas sessões de tortura e liberada em dezembro de 1970. Após cerca de um mês, Tullo Vigevani foi reconduzido ao Deops/SP e, em outubro daquele ano, transferido para o Presídio Tiradentes. Condenado pelo Superior Tribunal Militar (STM) a quatro anos de prisão, com base no artigo 14 da Lei de Segurança Nacional, teve a pena reduzida para um ano e meio em decorrência de recurso apresentado pelo advogado Mário Simas. Em 3 de fevereiro de 1972, foi libertado após a intervenção do cônsul da Itália em São Paulo, Antonio Di Stefano. Ele, a esposa e o filho ficaram alojados no prédio do consulado até partirem para o exílio na Itália, em 9 de fevereiro, pois sua residência permanecia cercada por forças da Operação Bandeirantes (OBAN).
Estabeleceu-se em Roma, onde passou a trabalhar no Instituto para as Relações da Itália com a América Latina, África e Oriente Médio (Ipalmo). Atuou em iniciativas de solidariedade a exilados políticos latino-americanos e colaborou com a Fundação Lélio Basso. Em 1974, ele e sua esposa prestaram depoimento ao Tribunal Bertrand Russell II, além de participarem da organização e montagem do tribunal. Também junto à Fundação Lélio Basso, contribuiu para a criação da Liga Internacional pelos Direitos dos Povos, entidade que desenvolveu ampla atuação solidária em relação ao Brasil.
Na Itália, graduou-se em Ciências Políticas, com especialização em Relações Internacionais, pela Università degli Studi Roma Tre, em 1978. Em seguida, ingressou no doutorado da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris, curso que não concluiu, pois retornou ao Brasil em 25 de dezembro de 1979.
Ano(s) de prisão
1961, 1965, 1970
Tempo total de encarceramento (aprox.)
1 ano e 8 meses
Cárceres
Passagens pelo Deops/SP
Data de prisão
17/04/1961
Tempo de permanência (aproximado)
1 dia
Data de prisão
20/02/1965
Tempo de permanência (aproximado)
60 dias
Data de prisão
02/08/1970
Tempo de permanência (aproximado)
60 dias
Local de tortura no Deops/SP
Fundão
Saída do país
Exilado
Países de destino
Assuntos: Eventos
Golpe de 1964 | Assassinato de Olavo Hansen por agentes da repressão | Congresso Internacional de Anistia em Roma | Tribunal Bertrand Russell II
Assuntos: Lugares
Código da entrevista
C182
Código da entrevista
C182


